Parque Nacional de Saint-Hilaire/Lange é tema do Programa Expedições

Na próxima terça-feira, 19 de julho, será apresentado o Programa Expedições sobre o Parque Nacional de Saint-Hilaire/Lange e seu entorno pela TV Brasil às 19:30.
Os temas gravados foram selecionados pela produção do programa, tendo por base uma lista de sugestões feitas pelo Parque. A gravação teve a devida autorização da Assessoria de Comunicação do ICMBio e da Administração do Parque.

Aline Dale, apresentadora do Programa Expedições, com um sapinho da montanha. – Foto: Rodrigo Torres/PNSHL/ICMBio

As filmagens foram realizadas entre os dias 10 e 14 de março de 2016, com apoio e participação da equipe do Parque e de diversos colaboradores locais, mobilizando dezenas de pessoas e percorrendo algumas centenas de quilômetros.
Um dos temas abordados foi a pesquisa sobre a ecologia e a conservação das lontras, realizada no Parque e seu entorno há alguns anos. Outro assunto foi a criação de ostras nativas na Baía de Guaratuba (entorno do Parque) feita por moradores das comunidades do Cabaraquara e Parati, bem como as belezas do Salto Parati. Algumas espécies raras, objeto de pesquisas científicas, também foram filmadas – como a canela (Ocotea marumbiensis), espécie botânica recentemente descrita, e o sapinho da montanha (Brachycephalus izecksohni), espécie minúscula (1 cm) que só existe no Parque. Foi mostrada ainda uma pesquisa que trata da riqueza e conservação da flora do Parque, com toda sua beleza.
“A gravação do Expedições no Parque, neste ano, foi um presente para nós”, comenta Rogério Florenzano, chefe da UC, em alusão ao aniversário de 15 anos do Parque Nacional, completado em maio de 2016.

Para conferir fotos da filmagem do programa acesse a fanpage do “Parque Nacional de Saint-Hilaire/Lange” no Facebook e em seguida o álbum de fotos “Programa EXPEDIÇÕES – PNSHL”.

Sobre o “Expedições”:
Pantanais, amazônias, chapadas, rios, cânions, pontos extremos do Brasil há vinte anos desfilam pelas lentes do Expedições. “O programa vai além de uma série de documentários”, destaca a jornalista Paula Saldanha, que criou o pioneiro projeto na televisão brasileira, nos anos 1970, ao lado do marido, o biólogo Roberto Werneck. O Expedições ganhou novo formato mas, de acordo com Paula, consolida o trabalho de jornalismo ambiental construído ao longo do tempo.
“O novo formato é singular, unindo influências do jornalismo, do documentário e um pouco de reality, guiando o telespectador ao longo das descobertas de cada episódio”, explica o diretor Lucas Saldanha Werneck, filho de Paula e que agora dirige a atração. Ele ressalta, no entanto, que antigos pilares foram mantidos: responsabilidade com as informações e divulgar o Brasil aos brasileiros e ao mundo.
Para desvendar e registrar as aventuras, a equipe do programa conta com a apresentadora Aline Dale, o fotógrafo Rodrigo Serrado e o cinegrafista Fabio Serfaty.

Expediente:
– Programa Expedições – 20 Anos
– Tema do episódio: Parque Nacional de Saint-Hilaire/Lange (PR)
– Data: próxima terça-feira, 19 de julho, às 19:30; reapresentação no sábado, 23 de julho, às 16:00
– Canal: TV Brasil (modos de sintonização: parabólica, canais abertos,TVs por assinatura, no exterior, e transmissão via web – tvbrasil.ebc.com.br/comosintonizar)
– Site do programa: tvbrasil.ebc.com.br/expedicoes

Projetos de pesquisa dominaram as atividades do PNSHL em outubro

Em outubro, a equipe do Parque Nacional de Saint-Hilaire/Lange dedicou grande parte do tempo de trabalho à realização dos projetos de pesquisa que são desenvolvidos pelo ICMBio com apoio de pesquisadores colaboradores. Fosse participando das  atividades de campo, fosse trabalhando no escritório para garantir o apoio logístico, todos estiveram envolvidos de alguma forma.

O esforço conjunto dos funcionários do Parque e a participação de pesquisadores colaboradores e voluntários possibilitou as saídas de campo de cinco projetos de pesquisa que estão gerando conhecimento sobre a fauna do Parque e contribuirão para elaboração do Plano de Manejo. São eles:

“Ecologia e conservação da lontra neotropical, Lontra longicaudis, no Parque Nacional de Saint-Hilaire/Lange, Serra da Prata, PR”, coordenado pela Professora Juliana Quadros, da UFPR Litoral. Este projeto tem atividades mensais e contribui também para ampliação do conhecimento sobre a fauna que habita o Parque pois prevê a coleta de peixes e invertebrados aquáticos que fazem parte da dieta da lontra e ainda registra os vestígios de outros animais (pegadas, fezes, pelos carcaças, etc) na área de estudo. Outro aspecto importante deste trabalho é a comparação entre a situação de um rio que foi afetado pelos deslizamentos de terra ocorridos em março de 2011 e outro que não foi alterado.

“Anuros e Squamata no PARNA Saint-Hilaire/Lange, Litoral do Paraná”, que tem o objetivo de conhecer as espécies de anfíbios e répteis que ocorrem em áreas de pouca altitude do Parque. É coordenado pelo biólogo e analista ambiental do ICMBio Leoncio Pedrosa Lima e tem a colaboração dos biólogos André Penteado e Luciano Plombon, responsáveis pela parte de serpentes. Uma das  metodologias utilizadas neste projeto, as armadilhas tipo pitfall, é também aplicada para captura de pequenos mamíferos como roedores e marsupiais, motivo pelo qual um novo estudo começou a ser desenvolvido na área do PNSHL: “Mamíferos da Mata Atlântica Subtropical: Taxonomia, distribuição geográfica, diversidade e conservação”. Coordenado pela Professora Liliani Tiepolo, da UFPR Litoral, este projeto ainda estuda outras áreas, como o Parque Estadual do Rio da Onça, em Matinhos, e a Floresta Nacional de Piraí do Sul. Tem o objetivo de conhecer a diversidade dos pequenos mamíferos da floresta atlântica e comparar a ocorrência e a abundância das espécies nas diferentes áreas.

“Levantamento da avifauna em áreas com tipos distintos de uso e em áreas íntegras do Parque Nacional de Saint-Hilaire/Lange”, coordenado pelo biólogo e analista ambiental do ICMBio Rodrigo Torres, tem a participação de Professores da Universidade Federal do Paraná: Luiz Augusto Mestre, do campus Palotina, e Ricardo Krul, do Centro de Estudos do Mar. Além do inventário de espécies, o estudo apontará a presença de espécies indicadoras de qualidade ambiental e espécies consideradas ameaçadas de extinção, segundo as listas nacional e estadual. A saúde das aves também será objeto de estudo, por meio do projeto: “Influência da paisagem antrópica e das mudanças climáticas sobre a saúde e biodiversidade da avifauna na região do Parque Saint-Hilaire/Lange”, desenvolvido pelo veterinário José Carlos Roble Júnior, aluno de mestrado da UFPR. Este trabalho agregará informações importantes para o manejo da Unidade de Conservação, uma vez que busca reconhecer relações entre a atividade humana, as alterações climáticas e o bem estar das aves.

Embora neste mês tenha havido coincidência das atividades de campo, cada projeto possui um cronograma próprio de acordo com o objetivo proposto, o comportamento dos animais em estudo e a disponibilidade das equipes. Para outras informações sobre os estudos científicos desenvolvidos no Parque Nacional de Saint-Hilaire/lange, visite a página Pesquisa Científica.

ICMBio inicia inventário de fauna no PNSHL

Equipe inicia as coletas de anfíbios no PNSHL

Na segunda quinzena de novembro, uma equipe do ICMBio esteve em campo no Parque Nacional de Saint-Hilaire/Lange (PNSHL) para iniciar o levantamento das espécies de anuros (sapos, rãs e pererecas) que ocorrem na Unidade de Conservação.  O trabalho, que se estende até 2012, foi aprovado pela Diretoria de Biodiversidade do ICMBio e está sendo financiado com recursos orçamentários do próprio Instituto. Este é o primeiro inventário de anfíbios realizado do Parque e as informações serão utilizadas para elaboração do Plano de Manejo, havendo possibilidade de serem encontradas espécies endêmicas (que só ocorrem nesta região) ou indicadoras de qualidade ambiental. O levantamento está sendo realizado em cinco regiões, envolvendo diferentes ambientes, em áreas de visitação e outras que não estão abertas ao turismo, nas porções leste e sudoeste do Parque, com altitude máxima de 120 metros sobre o nível do mar.

Rã martelo – Hypsiboas faber

Na primeira etapa de campo, realizada entre 23 de novembro e 03 de dezembro,  foram identificadas, aproximadamente, trinta espécies. Os animais estão sendo fotografados e, durante as buscas noturnas, as vocalizações (cantos) são gravadas. Estes registros serão utilizados ao final do trabalho para produção de um guia de identificação das espécies encontradas no Parque.

A equipe de pesquisa é composta, basicamente, por analistas ambientais do ICMBio sob coordenação do biólogo Leoncio Lima, chefe do Refúgio de Vida Silvestre dos Campos de Palmas (Palmas, PR). Integram o grupo os analistas ambientais do PNSHL, Beatriz Gomes e Rodrigo Torres;  Márcia Strapazzon, analista ambiental da Estação Ecológica da Mata Preta (Abelardo Luz, SC) e Marili Miretzki, estagiária do PNSHL. Durante alguns dias do trabalho de campo e no laboratório, a equipe contou com o apoio de alunos da UFPR- Litoral ligados ao Labmóvel, Thays Paz, Camile Cordeiro e Carlos Birckolz e da professora Ana Maria Franco, do curso de Ciências também da UFPR-Litoral.

Ameaças aos anfíbios

O Brasil apresenta a maior riqueza e a segunda maior diversidade ecológica de espécies de anfíbios do mundo (Mittermeier et al. 1997), com 775 espécies conhecidas, sendo 747 pertencentes à Ordem Anura (SBH 2005); e ainda muito para ser estudado(1). Grande parte desta biodiversidade está ameaçada por diversos fatores, colocando os anfíbios como os vertebrados mais ameaçados do planeta, com mais de 100 espécies já desapareceram nos últimos séculos – de forma mais acentuada nos últimos 30 a 40 anos (2).

Grande parte desta biodiversidade está ameaçada por diversos fatores, em especial pela perda e fragmentação dos ambientes em que vivem. Estudos recentes realizados no Estado de São Paulo identificaram outra grande ameaça relacionada com a redução de habitats: a desconexão entre o ambiente dos girinos e o ambiente dos adultos. Os pesquisadores visitaram mais de sessenta fragmentos de Mata Atlântica e observaram que somente três das áreas eram cortadas por riachos. Esta situação resulta em um grave problema para as espécies de anfíbios que, para completarem seu ciclo de vida (do ovo ao adulto), necessitam tanto dos ambientes aquáticos como dos terrestres. A poluição por fertilizantes e pesticidas e a ocorrência de doenças que causam alta mortalidade são outras ameaças que atingem os anfíbios (2).

O inventário das espécies de anuros que ocorrem no Parque Nacional de Saint-Hilaire/Lange e em seu entorno contribuem tanto para o conhecimento da biodiversidade como para a avaliação da saúde ambiental da região como um todo, importante para a qualidade de vida também das populações humanas.

Referências:

(1) Ribeiro, R.S. et al. Chave de identificação: anfíbios anuros da vertente de Jundiaí da Serra do Japi, Estado de São Paulo. Revista Biota Neotropica vol. 5 nº2. Campinas 2005.

(2) Fonseca, C.R. et al.  Metamorfose. O declínio mundial dos anfíbios é agravado pela desconexão entre o hábitat aquático dos girinos e o hábitat terrestre dos adultos, induzida pelas atividades humanas. Revista Scientific American Brasil. Nº 72 – Maio 2008.