UFPR realiza estudos na área afetada por deslizamentos de terra no PNSHL

Clareiras abertas na floresta em março de 2011. Vista da Serra da Prata na entrada do Morro Inglês. Foto: Rodolfo Bonaldi

O evento climático-geológico ocorrido em março de 2011 no litoral do Paraná, e que se mostrou intensificado nos limites do Parque Nacional de Saint-Hilaire/Lange (PNSHL) não passou despercebido aos olhos dos pesquisadores de diferentes áreas. O excesso de chuvas daquele mês fez com que várias porções de solo se desprendessem quase simultaneamente e descessem encosta abaixo carreando o solo, as rochas e parte da vegetação. Esses movimentos de solo são chamados de corrida de detritos (debris-flow).

Os sedimentos convergiram nos vales provocando perda de vegetação nas laterais de muitos rios. Atualmente a vegetação está em regeneração. Foto: Rodolfo Bonaldi

O episódio daquele dia foi o ponto de partida para que se começasse  a perceber o quanto estes eventos, notadamente em menor magnitude, são comuns ao longo das encostas do litoral brasileiro, onde a declividade acentuada das encostas e a alta pluviosidade proporcionam este tipo de acontecimento. A vegetação então completamente descaracterizada, retorna às clareiras abertas pelos deslizamentos. Evidentemente que várias décadas são necessárias para que a vegetação torne a ser, se isso ocorrer, o que era antes do acontecido. A grande questão levantada então foi: se a vegetação é descaracterizada em cada um desses eventos e se eles acontecem ao longo do tempo então provavelmente a corrida de detritos é um fenômeno influente na ocorrência das espécies.

Pensando nisso, pesquisadores do programa de Ecologia e Conservação da Universidade Federal do Paraná estão desenvolvendo três pesquisas que, com foco diferente, buscam entender parte da variação da vegetação ao longo da Serra do Mar proporcionada pelos eventos descritos. A vegetação arbórea e arbustiva (projeto 1), regenerante (projeto 2) e herbácea (projeto 3) foram os grupos escolhidos para tentar responder esta questão. Os indivíduos regenerantes são estudados quanto ao seus atributos funcionais, ou seja, além de saber quais espécies respondem a modificação do meio, que “tipos” de plantas são essas, quais são as características que permitem a ocorrência delas em determinados locais.

Exemplo da marcação das parcelas de amostragem em área sem histórico de deslizamento. Foto: Vanessa Ariati

Os locais de amostragem foram escolhidos com a ajuda de gestores do parque e de moradores da região. Além do PNSHL, estes trabalhos estão sendo conduzidos na Reserva Natural do Salto Morato e em outras áreas particulares do litoral do Paraná. Em cada local de amostragem, cinco parcelas de 10 m x 10 m são alocadas sobre as clareiras abertas pelo deslizamento e cinco parcelas de mesmo tamanho em áreas onde não há histórico conhecido de deslizamento. Dados de frequência e abundância são colhidos em campo. Amostras de cada espécie são coletadas para determinação e para medição dos atributos (características), atividades que são feitas em laboratório. Os trabalhos de campo são realizados pelos pesquisadores da UFPR e por diversos voluntários.

Os pesquisadores responsáveis por essas pesquisas são:

ProfMárcia Marques (marciaguanandi@gmail.com)

Prof° André Padial (aapadial@gmail.com)

Rodolfo Bonaldi (rodolfobiologo@hotmail.com)

Vanessa Ariati (vanessaariati@gmail.com)

Luana Rodrigues (luanature@yahoo.com.br)

Texto: Vanessa Ariati

Fotos: Rodolfo Bonaldi e Vanessa Ariati

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