Museu Botânico de Curitiba realiza pesquisa no PNSHL

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O Herbário do Museu Botânico Municipal de Curitiba (MBM) iniciou em janeiro o projeto de Prospecção da Flora no Parque Nacional Saint-Hilaire/Lange, que tem como objetivo principal realizar a busca e registro de espécies da flora dentro dos limites do parque.

O projeto foi proposto e é coordenado pelo Engenheiro Florestal Marcelo Leandro Brotto, pesquisador e servidor da Prefeitura Municipal de Curitiba, que justifica a relevância do projeto com base na ficha de Áreas Prioritárias para Conservação, Uso Sustentável e Repartição dos Benefícios da Biodiversidade Brasileira (Portaria MMA 09/2007). Nela, o Parque é classificado com importância extremamente alta e prioridade muito alta para conservação, com a característica de abrigar grande diversidade de habitats, endemismos (anfíbios), espécies ameaçadas em extinção e elevada riqueza biológica (anfíbios) e entre as ações recomendadas pelo Ministério do Meio Ambiente está a realização de inventário ambiental.

O pesquisador já realizou outros trabalhos no Parque e acrescentou que “os estudos sobre a flora no Parque se concentraram na faixa altitudinal entre 400 e 1100 metros, sendo que as faixas acima e abaixo desse intervalo foram pouco amostradas até o momento, principalmente a porção compreendida pela Floresta Ombrófila Densa Submontana (entre 10 e 600 metros de altitude), onde se espera encontrar a maior riqueza de flora de toda a Serra da Prata. Portanto, faz-se necessária uma intensificação na amostragem dessa faixa altitudinal, o que servirá de subsídio à lista geral da flora do Parque, além de disponibilizar material que possa apoiar outras pesquisas científicas. Para isso, serão realizadas no período de dois anos pelo menos oito expedições de coleta. Em cada uma se pretende coletar aproximadamente 60 plantas em período fértil (com estruturas reprodutivas – flores ou frutos), o que totaliza aproximadamente 500 coletas.”

Atualmente a coleção de plantas do Herbário do MBM soma quase 400.000 exemplares, sendo a 4ª maior do Brasil. Por isso, é considerada uma coleção de referência em nível nacional e internacional, servindo de base para a identificação de espécies da flora brasileira e em especial da flora paranaense. É com base em coleções como a do MBM que foi possível publicar a Lista de Espécies da Flora do Brasil, organizada pelo Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Neste momento, são reconhecidas 43.496 espécies para a flora brasileira, sendo 4.227 de Algas, 31.933 de  Angiospermas, 1.531 de Briófitas, 4.558 de Fungos, 26 de Gimnospermas e 1.221 de Samambaias e Licófitas.

Como é feita a identificação de uma planta?

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Amostra da árvore Guanandi. Foto: Marcelo Broto

Para os cientistas que estudam a classificação das plantas o que mais importa é o nome científico das espécies. Por exemplo, o popular Guanandi chama-se Calophyllum brasiliense Cambess., descoberto e batizado pelo pesquisador Jacques Cambessèdes no ano de 1825. Antes de identificar uma planta coletada é preciso secá-la para que ela não se deteriore, depois ela é levada ao herbário para ser comparada com outras amostras e também com as descrições feitas pelos pesquisadores em publicações botânicas. Por fim, depois de identificada a amostra é arquivada com informações sobre a localidade onde foi encontrada, quem a coletou, quando, quem a identificou, etc.

Qual a importância dessa pesquisa para o parque?

Como um dos objetivos do parque é a conservação da biodiversidade é importante saber quais espécies existem ali e a partir disso estabelecer a melhor estratégia de conservação para cada uma, em especial para aquelas que estão em risco de extinção.

A realização da pesquisa foi autorizada pelo ICMBio através do Sistema de Autorização e Informação em Biodiversidade (SISBIO).

Texto: Marcelo L. Brotto e PNSHL

PNSHL participa de apresentação sobre Trilha da Torre da Prata no CEM

Estudante apresentando relatório. Foto: Acervo PNSHL

Estudante apresentando relatório. Foto: Acervo PNSHL

Na tarde do dia 21/06 analistas ambientais do Parque Nacional de Saint-Hilaire/Lange (PNSHL) assistiram uma apresentação dos alunos do curso de Oceanografia do Centro de Estudos Mar – CEM/UFPR relatando um estudo que realizaram na disciplina optativa “Turismo e Natureza”, ministrada pelo Professor José Claro da Fonseca Neto. O estudo envolveu uma atividade de campo realizada nos dias 14 e 15 de junho, na Trilha da Torre da Prata, e teve como objetivo realizar uma avaliação turística rápida (ATR) da trilha e desenvolver um protocolo de operação padrão (POP), que foram apresentados pelos estudantes e pelo professor na forma de um relatório. A ATR é uma avaliação da trilha do ponto de vista de uso turístico, como estado de conservação, sinalização e grau de dificuldade do percurso. O POP é um protocolo de uso da trilha, que informa como deve ser feita a preparação para a visitação, o que é preciso saber para a segurança dos visitantes e o que é preciso levar para a caminhada na trilha.

Após a apresentação, os estudantes puderam discutir, sanar dúvidas, sugerir e receber sugestões da equipe do PNSHL quanto ao trabalho apresentado. Aproveitou-se o momento para convidar os estudantes para participarem do programa de voluntariado existente no parque.

Projeto viabiliza o diálogo entre a UFPR, o PNSHL e moradores no litoral do Paraná

O projeto envolve agricultores, professores e alunos da UFPR Litoral e representantes do Parque.

O projeto Desenvolvimento e Inovação em Áreas de Conservação Ambiental e Agricultura no litoral do Paraná proposto pela UFPR Litoral, teve início em 2011 e foi apresentado na 9ª Reunião Ordinária do Conselho Consultivo do Parque Nacional de Saint-Hilaire/Lange.

Mesmo antes da criação do projeto, as áreas agrícolas vinham sendo visitadas por estudantes do curso de Agroecologia da UFPR no módulo de Manejo de Fauna e Flora, juntamente com a professora Marcia Marzagão Ribeiro. Após a aprovação, o projeto teve sua inserção no Banpesq (banco de pesquisas da UFPR) e estas áreas passaram a ser visitadas por professores, estudantes, técnicos e gestores da área ambiental e agrícola em reuniões mensais promovidas pelo projeto e outras atividades como de capacitação e reuniões do Parque.

Dos objetivos gerais constam a organização das propriedades e a adequação ambiental, enquanto que os objetivos específicos incluem a aplicação de questionários e elaboração dos croquis das propriedades. Uma parte dos produtores envolvidos no projeto forma o grupo Cheiro da Mata, que pretende organizar as propriedades para obter a certificação orgânica. Para a adequação ambiental se discutiu os preceitos para proteção dos recursos naturais para a produção agrobiodiversa e o SISLEG (Sistema de Manutenção, Recuperação e Proteção da Reserva Legal e áreas de Preservação Permanente) cuja implantação é de responsabilidade do Instituto Ambiental do Paraná (IAP).

Dos resultados obtidos nas propriedades amostradas verificou-se a boa diversidade de espécies cultivadas nas propriedades agrícolas, mão de obra escassa e baixa tecnologia no manejo. Levantou-se a dificuldade de produção de hortaliças no período entre novembro e fevereiro, devido às condições climáticas inadequadas para o cultivo: Projeto_UFPR_Litoral-Tabelatemperaturas registraram médias acima dos 270 C  e alta pluviosidade. Nestas temperaturas, das espécies cultivadas a fruticultura demonstra potencial em propriedades ou locais onde o solo não encharque. Levantou-se a necessidade de um arranjo local de produção para o resgate das espécies da agrobiodiversidade.

O projeto pretende, com a sua continuidade, agregar outros agricultores e melhorar o serviço de acompanhamento destas propriedades, junto ao Parque e em suas novas ações referentes ao plano de manejo e as questões relacionadas à possíveis conflitos. Como foco, uma das propriedades, onde o acolhimento do projeto se deu desde o seu início, tem sido referência. Isto com o intuito de multiplicar as ações, de forma que elas se concretizem e estejam ao alcance de todos os agricultores que por ventura tenham interesse neste desenvolvimento.

Este trabalho que se faz junto aos moradores da área de proteção, aproxima o Parque, esclarece suas ações e propicia a visibilidade das pessoas no entorno. Quando o título do projeto pensa em desenvolvimento, entendam-se condições dignas econômicas para as pessoas; e inovação entenda-se: quando se trabalha meio ambiente e agricultura em paralelo com os mesmos objetivos e não na contra mão.

Por fim o agradecimento aos agricultores, estudantes, professores, UFPR, PNSHL, Emater e  IAP. A união faz a força!

Texto e figuras: Marcia Marzagão Ribeiro

DER produzirá materiais de divulgação para o PNSHL e APA de Guaratuba

Representantes do Parque Nacional de Saint-Hilaire/Lange (PNSHL), da Área de Proteção Ambiental de Guaratuba e do Departamento de Estradas de Rodagem do Estado do Paraná (DER-PR) reuniram-se na última quinta-feira (dia 06) na Sede da APA de Guaratuba para tratar do cumprimento de condicionantes previstas no licenciamento ambiental da Rodovia PR-412, que está na área de influência das duas Unidades de Conservação.

A Licença de Operação expedida pelo IBAMA em 2007 determina ao DER-PR a realização de um Programa de Educação Ambiental aos usuários e à população lindeira da rodovia, que deve incluir, entre outras atividades, a produção de materiais de divulgação sobre as duas áreas protegidas. Em 2011 o DER patrocinou a impressão de 25 mil folhetos sobre cada unidade de conservação e 10 mil adesivos com a logo do Parque, que estão sendo distribuídos tanto pelos órgãos ambientais como pelo DER. Outra condicionante da mesma licença levou à instalação de placas indicativas sobre o Parque e a APA nas rodovias do litoral em 2009.

Na recente reunião os gestores apresentaram as novas demandas de materiais de divulgação, que buscarão diversificar a estratégia educativa: uma exposição e diversos tipos de brindes estão entre as propostas. Os painéis deverão ser planejados de forma a possibilitar uma exposição itinerante, que poderá ser levada a escolas e eventos regionais, assim como ser instalada nas sedes das respectivas unidades de conservação. Os conteúdos versarão sobre os objetivos de cada área, atrativos, biodiversidade, importância para a região e mecanismos de gestão participativa. Posters, cadernos, camisetas, canecas, sacolas e outros itens serão produzidos para distribuição em eventos e terão a finalidade principal de divulgar a existência e abrangência das unidades.

As propostas  serão agora encaminhadas ao IBAMA, na qualidade de órgão licenciador, aproveitando o processo de renovação da licença ambiental.

UFPR realiza estudos na área afetada por deslizamentos de terra no PNSHL

Clareiras abertas na floresta em março de 2011. Vista da Serra da Prata na entrada do Morro Inglês. Foto: Rodolfo Bonaldi

O evento climático-geológico ocorrido em março de 2011 no litoral do Paraná, e que se mostrou intensificado nos limites do Parque Nacional de Saint-Hilaire/Lange (PNSHL) não passou despercebido aos olhos dos pesquisadores de diferentes áreas. O excesso de chuvas daquele mês fez com que várias porções de solo se desprendessem quase simultaneamente e descessem encosta abaixo carreando o solo, as rochas e parte da vegetação. Esses movimentos de solo são chamados de corrida de detritos (debris-flow).

Os sedimentos convergiram nos vales provocando perda de vegetação nas laterais de muitos rios. Atualmente a vegetação está em regeneração. Foto: Rodolfo Bonaldi

O episódio daquele dia foi o ponto de partida para que se começasse  a perceber o quanto estes eventos, notadamente em menor magnitude, são comuns ao longo das encostas do litoral brasileiro, onde a declividade acentuada das encostas e a alta pluviosidade proporcionam este tipo de acontecimento. A vegetação então completamente descaracterizada, retorna às clareiras abertas pelos deslizamentos. Evidentemente que várias décadas são necessárias para que a vegetação torne a ser, se isso ocorrer, o que era antes do acontecido. A grande questão levantada então foi: se a vegetação é descaracterizada em cada um desses eventos e se eles acontecem ao longo do tempo então provavelmente a corrida de detritos é um fenômeno influente na ocorrência das espécies.

Pensando nisso, pesquisadores do programa de Ecologia e Conservação da Universidade Federal do Paraná estão desenvolvendo três pesquisas que, com foco diferente, buscam entender parte da variação da vegetação ao longo da Serra do Mar proporcionada pelos eventos descritos. A vegetação arbórea e arbustiva (projeto 1), regenerante (projeto 2) e herbácea (projeto 3) foram os grupos escolhidos para tentar responder esta questão. Os indivíduos regenerantes são estudados quanto ao seus atributos funcionais, ou seja, além de saber quais espécies respondem a modificação do meio, que “tipos” de plantas são essas, quais são as características que permitem a ocorrência delas em determinados locais.

Exemplo da marcação das parcelas de amostragem em área sem histórico de deslizamento. Foto: Vanessa Ariati

Os locais de amostragem foram escolhidos com a ajuda de gestores do parque e de moradores da região. Além do PNSHL, estes trabalhos estão sendo conduzidos na Reserva Natural do Salto Morato e em outras áreas particulares do litoral do Paraná. Em cada local de amostragem, cinco parcelas de 10 m x 10 m são alocadas sobre as clareiras abertas pelo deslizamento e cinco parcelas de mesmo tamanho em áreas onde não há histórico conhecido de deslizamento. Dados de frequência e abundância são colhidos em campo. Amostras de cada espécie são coletadas para determinação e para medição dos atributos (características), atividades que são feitas em laboratório. Os trabalhos de campo são realizados pelos pesquisadores da UFPR e por diversos voluntários.

Os pesquisadores responsáveis por essas pesquisas são:

ProfMárcia Marques (marciaguanandi@gmail.com)

Prof° André Padial (aapadial@gmail.com)

Rodolfo Bonaldi (rodolfobiologo@hotmail.com)

Vanessa Ariati (vanessaariati@gmail.com)

Luana Rodrigues (luanature@yahoo.com.br)

Texto: Vanessa Ariati

Fotos: Rodolfo Bonaldi e Vanessa Ariati