Conselho do PNSHL realizará a última reunião do ano

Na próxima terça-feira, 04 de dezembro, o Conselho Consultivo do Parque Nacional de Saint-Hilaire/Lange realizará sua 13ª Reunião Ordinária, com uma pauta voltada para a apresentação dos resultados das atividades desenvolvidas em 2012. Além dos informes da equipe do Parque sobre os resultados do Planejamento Operacional e do Sistema de Gestão Estratégica do ICMBio, os pesquisadores apresentarão aos Conselheiros o trabalho que vem sendo desenvolvido para ampliar o conhecimento sobre a biodiversidade da Unidade de Conservação. Ao final da reunião será apresentado o documentário  Quem acordou o Dragão –  Um olhar sobre os desastres ambientais que ocorreram no litoral paranaense em março de 2011,  produzido pelo projeto Labmóvel da UFPR – Litoral.

O evento é aberto aos interessados e acontecerá a partir das nove horas, na Sala do Conselho do Setor Litoral da Universidade Federal do Paraná, localizado à rua Jaguariaíva nº 512, Caiobá, Matinhos.

Pauta completa:

1. Leitura e aprovação da ATA da 3ª Reunião Extraordinária

2. Resultados  do Planejamento Operacional do PNSHL em 2012:

2.1  Informes sobre as metas planejadas

2.2  Informes sobre metas no Sistema de Gestão Estratégica do ICMBio – SIGE.

3.   Resultados preliminares das pesquisas em execução.

4.   Plano de Ação do Conselho biênio 2012-2013: Informes das Câmaras Técnicas.

5. Informes dos Conselheiros.

6. Apresentação do documentário: – Quem acordou o Dragão –  Um olhar Sobre os Desastres Ambientais que ocorreram no litoral Paranaense em março de 2011. Coordenação: Labmóvel UFPR – Litoral.

Voluntários realizam atividade de marcação de trilha no PNSHL

Voluntários vieram de Curitiba, Morretes e Matinhos para colaborar no mutirão de sinalização da trilha da Torre da Prata.

Apesar da previsão de chuva, onze voluntários se dispuseram a colaborar na marcação da mais longa das trilhas atualmente visitadas no Parque Nacional de Saint-Hilaire/Lange: a trilha da Torre da Prata. Vindos de Curitiba e Morretes, membros do Clube Paranaense de Montanhismo (CPM) se encontraram com dois analistas ambientais do Parque e outros voluntários de Matinhos para realizar o trabalho, que se estendeu até a noite. A atividade, realizada no último sábado, foi organizada em conjunto pela equipe do Parque e a diretoria do CPM e faz parte da programação da Câmara Técnica de Montanhismo e Ordenamento da Visitação criada pelo Conselho Consultivo no final de 2011.

A trilha da Torre da Prata é linear, possui quase sete quilômetros de extensão e foi aberta em 1966 (trinta e cinco anos antes da criação do PNSHL) como uma alternativa para o caminho utilizado na conquista da montanha, em 1944, que durava três dias. A inclinação acentuada do terreno, a partir da metade do caminho, faz com que a subida seja difícil e exija grande esforço físico, motivo pelo qual ela é feita especialmente por montanhistas. Atalhos criados por exploradores ocasionais ou moradores da região, trilhas abertas por praticantes de atividades ilegais, caminhos usados por  animais ou decorrentes do fluxo de água das chuvas foram se somando à trilha principal e confundindo os visitantes. Surgiram, então, as marcações feitas com fitas adesivas coloridas, fitas “zebradas” e até mesmo sacolas plásticas.

Após a criação da Câmara Técnica pelo Conselho, iniciou-se o processo de planejamento para o ordenamento do uso da trilha visando a segurança do visitante e a proteção e recuperação da vegetação nativa, com o fechamento de atalhos. Foram sinalizados: o trecho mais longo da trilha principal, desde seu início até os campos de altitude, a cerca de 1.300 metros sobre o nível do mar, e uma trilha secundária. O mau tempo prejudicou os trabalhos e não foi possível concluir a sinalização de um pequeno trecho de floresta próximo ao cume, situado depois dos campos de altitude. Será marcada uma nova data para finalizar a sinalização, porém naquele local não existem bifurcações e o risco de um visitante não encontrar o caminho é praticamente inexistente.

No mutirão, foram utilizadas duas técnicas: em um dos acessos as árvores receberam marcação com tinta esmalte de alto brilho, técnica que vem sendo adotada pelo ICMBio em diversas Unidades de Conservação; em outro foi aplicada a técnica consagrada pelos montanhistas do Paraná, que consiste no uso de fitas adesivas (foi escolhida fita adesiva refletiva, pois é comum que o visitante que não pernoita no alto da montanha inicie ou finalize a caminhada no escuro, guiado somente por lanternas). A equipe do Parque e os membros do CPM realizarão uma pesquisa de longo prazo para avaliar qual a estratégia de marcação mais adequada, segundo critérios de durabilidade do material, perda da visibilidade diurna e noturna ao longo do tempo, necessidade de manutenção, susceptibilidade a vandalismo e aceitação pelo usuário.

Entre as próximas atividades da Câmara Técnica estão: a discussão e elaboração de uma portaria de ordenamento da atividade de visitação na trilha da Torre da Prata; a sinalização de outras trilhas de menor complexidade, porém muito visitadas nos meses de verão, como a trilha do Salto do Tigre; e a consolidação da parceria entre o CPM e o ICMBio, por meio da assinatura de de um Termo de Reciprocidade. O documento está sendo elaborado pelas duas instituições e, em breve, seguirá para análise do setor jurídico do órgão governamental.

Levantamento de répteis conclui segunda fase de campo com bons resultados

Os biólogos André Penteado e Luciano Plombon concluíram, no último dia 13, a segunda campanha de coleta de dados de campo sobre a Ordem Squamata (parte dos répteis que inclui lagartos e cobras), que integra o projeto de pesquisa intitulado “Anuros e Squamata do Parque Nacional de Saint-Hilaire/Lange”.

Biólogos manejam uma jararacuçu

A pesquisa foi iniciada no mês de outubro e cada etapa de campo tem a duração de oito dias. As atividades incluem o uso de armadilhas instaladas no interior do Parque, busca ativa na  floresta e busca de animais nas margens e no leito da rodovia PR 508. Os animais vivos são capturados e transportados até a sede do Parque, onde são medidos e examinados para identificação do sexo, sendo devolvidos ao local de captura no dia seguinte.

Na opinião dos pesquisadores, os resultados vêm surpreendendo: “estamos com uma lista de 18 espécies de répteis, somando 48 indivíduos”, explicam André e Luciano. E acrescentam: das espécies que podemos destacar estão aquelas que precisam de ambientes florestais relativamente bem preservados para a sua sobrevivência: as cobras-cipós (Chironius bicarinatus, Chironius exoletus, Chironius foveatus, Chironius fuscus) e os lagartos Enyalius iheringii (papa-vento, iguaninha, camaleãozinho) e Placosoma glabellum.

Outra espécie que merece destaque é a cobra d’água (Erythrolamprus miliaris). Por ser uma serpente abundante, é a que mais sofre com atropelamentos na PR-508 (Alexandra-Matinhos): totalizando 12 indivíduos encontrados atropelados nos monitoramentos realizados em outubro e novembro. Também integram a lista de espécies do Parque, algumas com potencial para causar acidentes ofídicos: jararaca (Bothrops jararaca), jararacuçu (Bothrops jararacussu) e coral-verdadeira (Micrurus corallinus). Essas espécies estão sujeitas a grande pressão humana devido ao medo generalizado de cobras, que parte da população tem e acaba por matá-las indiscriminadamente.  O medo também faz vítimas as cobras que não são peçonhentas mas se parecem com as que são, como as das espécies Xenodon neuwiedii (jararaquinha) e Sibynomorphus neuwiedii (dormideira), confundidas com a jararaca e a jararacuçu;  e Oxyrhopus clathratus e Erythrolamprus aesculapii, ambas confundidas com a coral-verdadeira.

A partir da esquerda: Lagarto papa-vento (E. iheringii), cobra d’água (E. miliaris) e um indivíduo jovem de jararaca (B. jararaca). Fotos: André Penteado

A ideia inicial é que a pesquisa crie subsídios para o Plano de Manejo do Parque  e dê origem a um guia ilustrado com os répteis e seus hábitos, colaborando assim para identificação das espécies por parte de leigos e especialistas que venham a trabalhar na região e contribuindo na sua conservação. O projeto foi aprovado pela Diretoria de Pesquisa, Avaliação e Monitoramento da Biodiversidade do ICMBio e recebe recursos orçamentários do próprio Instituto e do Projeto BRA/08/023 – Conservação da Biodiversidade e Promoção do Desenvolvimento Socioambiental, do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Além dos biólogos, participam das atividades membros da equipe do PNSHL e estudantes universitários dos cursos de Biologia e Gestão Ambiental.

Os estudos ligados aos répteis preveem mais duas etapas de coleta nos meses de verão, época em que as serpentes estão em maior atividade e em período de reprodução. Contudo, ressaltam os pesquisadores, seria essencial que a pesquisa tivesse continuidade de, pelo menos, três anos para um melhor conhecimento da fauna de répteis e suas relações com o ambiente.

Colaboraram no texto: André E. Penteado e Luciano Plombon
Fotos: Rogério Florenzano Júnior e André E. Penteado

Novos conselheiros recebem capacitação sobre legislação ambiental

Membros do Conselho Consultivo do Parque Nacional de Saint-Hilaire/Lange  participaram, na última terça feira, 29 de outubro, do curso sobre legislação  que encerrou o ciclo de capacitação dos atuais conselheiros. Trinta e três pessoas participaram: a maioria era composta por conselheiros que representam comunidades rurais e assumiram seus mandatos em 2012 e que ainda não haviam tido oportunidade e conhecer e discutir sobre aspectos legais das unidades de conservação.

As atividades foram desenvolvidas de forma participativa, priorizando discussões em grupo sobre a importância das áreas protegidas, o novo Código Florestal, a legislação referente às Unidades de Conservação e o papel do conselheiro na gestão de uma Unidade de Conservação da categoria de proteção integral – caso do Parque Nacional. Os trabalhos foram iniciados por Silvana, do Mater Natura, que apresentou uma “linha do tempo” discutindo alguns momentos históricos que mudaram o comportamento da humanidade em relação as questões ambientais e finalizando com histórico da legislação ambiental. Em seguida, os participantes  trocaram suas impressões e tiraram dúvidas sobre a legislação ambiental, incluindo alguns aspectos do recém aprovado Código Florestal.

No período da tarde os conselheiros discutiram assuntos relacionados ao Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC – Lei 9.985/2000), destacando os tipos de áreas protegidas que possuem representação federal no litoral do Paraná: Parque Nacional, Estação Ecológica, Reserva Biológica e  Área de Proteção Ambiental; conheceram melhor os objetivos e atividades do PNSHL e o processo de revisão dos seus limites, por meio de uma apresentação feita pela equipe do Parque; e discutiram em grupos o papel de cada um como representante de sua comunidade na gestão da área protegida.

O curso foi realizado pelo PNSHL em parceria com o Mater Natura Instituto de Estudos Ambientais, que recebe recursos do Ministério do Meio Ambiente para desenvolver o Projeto de Gerenciamento Integrado de Unidades de Conservação da Mata Atlântica: a Capacitação em Gestão Participativa como uma Estratégia de Conservação. O evento ainda teve apoio da UFPR-Litoral para o transporte dos conselheiros que moram na zona rural.