Projetos de pesquisa dominaram as atividades do PNSHL em outubro

Em outubro, a equipe do Parque Nacional de Saint-Hilaire/Lange dedicou grande parte do tempo de trabalho à realização dos projetos de pesquisa que são desenvolvidos pelo ICMBio com apoio de pesquisadores colaboradores. Fosse participando das  atividades de campo, fosse trabalhando no escritório para garantir o apoio logístico, todos estiveram envolvidos de alguma forma.

O esforço conjunto dos funcionários do Parque e a participação de pesquisadores colaboradores e voluntários possibilitou as saídas de campo de cinco projetos de pesquisa que estão gerando conhecimento sobre a fauna do Parque e contribuirão para elaboração do Plano de Manejo. São eles:

“Ecologia e conservação da lontra neotropical, Lontra longicaudis, no Parque Nacional de Saint-Hilaire/Lange, Serra da Prata, PR”, coordenado pela Professora Juliana Quadros, da UFPR Litoral. Este projeto tem atividades mensais e contribui também para ampliação do conhecimento sobre a fauna que habita o Parque pois prevê a coleta de peixes e invertebrados aquáticos que fazem parte da dieta da lontra e ainda registra os vestígios de outros animais (pegadas, fezes, pelos carcaças, etc) na área de estudo. Outro aspecto importante deste trabalho é a comparação entre a situação de um rio que foi afetado pelos deslizamentos de terra ocorridos em março de 2011 e outro que não foi alterado.

“Anuros e Squamata no PARNA Saint-Hilaire/Lange, Litoral do Paraná”, que tem o objetivo de conhecer as espécies de anfíbios e répteis que ocorrem em áreas de pouca altitude do Parque. É coordenado pelo biólogo e analista ambiental do ICMBio Leoncio Pedrosa Lima e tem a colaboração dos biólogos André Penteado e Luciano Plombon, responsáveis pela parte de serpentes. Uma das  metodologias utilizadas neste projeto, as armadilhas tipo pitfall, é também aplicada para captura de pequenos mamíferos como roedores e marsupiais, motivo pelo qual um novo estudo começou a ser desenvolvido na área do PNSHL: “Mamíferos da Mata Atlântica Subtropical: Taxonomia, distribuição geográfica, diversidade e conservação”. Coordenado pela Professora Liliani Tiepolo, da UFPR Litoral, este projeto ainda estuda outras áreas, como o Parque Estadual do Rio da Onça, em Matinhos, e a Floresta Nacional de Piraí do Sul. Tem o objetivo de conhecer a diversidade dos pequenos mamíferos da floresta atlântica e comparar a ocorrência e a abundância das espécies nas diferentes áreas.

“Levantamento da avifauna em áreas com tipos distintos de uso e em áreas íntegras do Parque Nacional de Saint-Hilaire/Lange”, coordenado pelo biólogo e analista ambiental do ICMBio Rodrigo Torres, tem a participação de Professores da Universidade Federal do Paraná: Luiz Augusto Mestre, do campus Palotina, e Ricardo Krul, do Centro de Estudos do Mar. Além do inventário de espécies, o estudo apontará a presença de espécies indicadoras de qualidade ambiental e espécies consideradas ameaçadas de extinção, segundo as listas nacional e estadual. A saúde das aves também será objeto de estudo, por meio do projeto: “Influência da paisagem antrópica e das mudanças climáticas sobre a saúde e biodiversidade da avifauna na região do Parque Saint-Hilaire/Lange”, desenvolvido pelo veterinário José Carlos Roble Júnior, aluno de mestrado da UFPR. Este trabalho agregará informações importantes para o manejo da Unidade de Conservação, uma vez que busca reconhecer relações entre a atividade humana, as alterações climáticas e o bem estar das aves.

Embora neste mês tenha havido coincidência das atividades de campo, cada projeto possui um cronograma próprio de acordo com o objetivo proposto, o comportamento dos animais em estudo e a disponibilidade das equipes. Para outras informações sobre os estudos científicos desenvolvidos no Parque Nacional de Saint-Hilaire/lange, visite a página Pesquisa Científica.

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Descoberta uma nova espécie de canela no PNSHL

Ocotea marumbiensis – Foto: Marcelo Brotto

É com muita satisfação que recebemos a notícia da descrição de uma nova espécie de árvore (canela) da floresta atlântica do Brasil, cuja espécie-tipo é da Torre da Prata, no Parque Nacional de Saint-Hilaire/Lange (PNSHL):

Ocotea marumbiensis ocorre na Região Sul do Brasil, nos estados de Santa Catarina e Paraná. É encontrada na Floresta Ombrófila Densa Montana, entre 700 e 1.230 m.s.m., ocupando o dossel. A espécie é rara em sua área de ocorrência, por isso é categorizada nos critérios da IUCN (2001) como Em Perigo (EN B1ab(iii)). Em material vivo, a coloração da flor é esverdeada e o fruto quando maduro é preto lustroso. Coletada com flores de janeiro a outubro e com frutos de maio a novembro. A floração aparentemente se estende por alguns meses, sendo comum encontrar flores e frutos imaturos durante esse período.
O epíteto específico faz alusão ao Pico do Marumbi, local onde foi encontrada a maior população até o momento, servindo também como homenagem à montanha que tem sido inspiração para várias gerações de pesquisadores.”

O artigo “Uma espécie nova de Lauraceae da floresta atlântica do Brasil”, dos pesquisadores Marcelo L. Brotto & João B. Baitello, foi publicado na revista científica Rodriguesia e pode ser lido na íntegra em:
http://rodriguesia.jbrj.gov.br/FASCICULOS/rodrig63-3/id%20391.pdf

Deixamos aqui nossos parabéns aos pesquisadores pela descoberta, em especial ao Marcelo Brotto, do Clube Paranaense de Montanhismo, que muito trabalha pela conservação da Serra da Prata.