ICMBio e Clube Paranaense de Montanhismo investem em parceria para a conservação da trilha da Torre da Prata

Grupo chega à Torre da Prata, debaixo de garoa

No último final de semana, nos dias 25 e 26 de agosto, uma equipe de dez pessoas, entre servidores do ICMBio e membros do CPM (Clube Paranaense de Montanhismo), subiram a trilha da Torre da Prata, no Parque Nacional de Saint-Hilaire/Lange (PNSHL).

O objetivo da expedição foi verificar o estado da trilha e da sua sinalização, bem como da área de camping no topo da montanha, visando o ordenamento do uso público do local. Entre os participantes, estiveram presentes o Diretor de Criação e Manejo de Unidades de Conservação do ICMBio, Pedro de Castro da Cunha e Menezes, a Coordenadora Geral de Uso Público e Negócios do ICMBio, Sonia Kinker, e os membros da Diretoria do CPM, Guilherme Machado e Marcelo Brotto.

Aula prática de sinalização de trilhas, ministrada por Pedro Menezes

No início da caminhada, foi realizada uma prática de sinalização de trilhas para os participantes, com a metodologia que vem sendo difundida para uso nas Unidades de Conservação federais. A aula foi ministrada por Pedro Menezes, que também é instrutor do ICMBio no tema.

A longa caminhada (6,3 km, em cada sentido) permitiu a troca de muitas idéias sobre sinalização e melhoria da trilha entre os participantes, bem como sobre o Termo de Reciprocidade entre ICMBio e CPM, que está em fase de elaboração. A idéia desta parceria é a implementação do Programa “Adote uma Montanha” na Serra da Prata, tendo início pela Torre da Prata.

Equipe do ICMBio ao final da caminhada

Outras atividades em conjunto com o CPM já estão previstas para acontecer em 2012, tais como o mapeamento, a avaliação e a sinalização de toda trilha da Torre da Prata e de seus ramais.

Após a árdua chegada ao cume (1.497m de altitude), os montanhistas do CPM retornaram à base, e a equipe do ICMBio pernoitou na área de camping.

Os servidores do PNSHL reiteram o agradecimento a todos que participaram desta inesquecível empreitada!

Começa o estudo da lontra neotropical no PNSHL

O ICMBio e a UFPR Litoral deram início, no último dia 07, ao projeto de pesquisa sobre a lontra neotropical (Lontra longicaudis) no Parque Nacional de Saint-Hilaire/Lange, com o objetivo de compreender o uso do ambiente e a ecologia alimentar desta espécie e assim contribuir para a sua conservação e auxiliar na gestão e manejo da Unidade de Conservação. Nos dias 07, 08 e 15 foi feita uma expedição para reconhecimento de campo e marcação da área de estudo e a primeira etapa de coleta de dados começou no dia 21 (terça feira) e vai até hoje.

O trabalho consiste em vasculhar, minuciosamente, trechos de dois rios no interior do Parque a procura de sinais da presença de lontras, como pegadas, tocas, refúgios, locais de repouso, sítios de defecação e fezes. Foram escolhidos dois riachos com características semelhantes, porém um deles foi afetado pelas enchentes e deslizamentos de terra ocorridos em março de 2011.  Em cada rio, a área de estudo tem 3 km de extensão e está dividida em 30 seções de 100 metros. Desta forma será possível comparar as informações obtidas em cada local e avaliar qual o impacto daquele evento natural na sobrevivência da espécie. As etapas de campo para coleta de dados têm duração de cinco dias e serão realizadas, mensalmente, até julho de 2013. Além das informações in loco, a equipe coleta fezes das lontras para estudo da sua dieta em laboratório. Está prevista também a coleta de amostras de água para análise de parâmetros físico-químicos, e a participação de um ictiólogo (especialista em peixes) para realizar a coleta e identificação das espécies de peixes (e crustáceos) que vivem nestes rios. Esse estudo permitirá traçar uma relação entre a ictiofauna e a carcinofauna presentes nos rios e a alimentação das lontras, elucidando questões sobre estratégias de predação e de uso do habitat pelas lontras e impacto dos deslizamentos de terra.

Nas etapas de campo, a equipe de pesquisa coleta diversas informações sobre as lontras e recolhe amostras de fezes para análise em laboratório.

A professora Juliana, coordenadora do projeto, explica a importância do trabalho:  “O projeto é extremamente relevante para aperfeiçoar os conhecimentos básicos sobre a ecologia das lontras na região da Serra da Prata. Agora, quase no final da primeira campanha de campo, estou muito feliz com os primeiros resultados e minha expectativa aumenta com a vinda de um especialista em peixes para realizar o levantamento da ictiofauna, possivelmente o principal item alimentar da espécie. Além de contribuir com informações básicas sobre as lontras, o projeto é inovador pois se propõe a compreender o que acontece com as lontras em um rio vitimado por um desastre natural vultuoso como o que ocorreu na região em março de 2011” .

Este projeto tem o título de “Ecologia e conservação da lontra neotropical, Lontra longicaudis, no Parque Nacional de Saint-Hilaire/Lange, Serra da Prata, PR” e está sendo desenvolvido com apoio do ICMBio por meio da Coordenação Geral de Manejo para Conservação (CGESP/DIBIO). No trabalho estão envolvidas  doze pessoas: três servidores e uma estagiária do Parque, a Profa. Dra. Juliana Quadros (da UFPR Litoral), um ictiólogo, uma bolsista de iniciação científica e cinco voluntários – dois ligados ao programa de voluntariado do ICMBio e três ligados à UFPR.

Parque Nacional de Saint-Hilaire/Lange cria sistema online para registro de visitantes

Amanhecer no cume da Serra da Prata. Foto: Carolina Guarinello

O relevo da Serra da Prata, os inúmeros riachos e a rica vegetação da Mata Atlântica presentes no Parque Nacional de Saint-Hilaire/Lange criam belos cenários naturais que atraem pessoas de diversas partes do país e do mundo. Trilhas com diferentes níveis de dificuldade conduzem o visitante por variados ambientes, dando oportunidade para observação da flora e da fauna e levando a cachoeiras ou ao cume da Serra da Prata, conhecido como Torre da Prata.

O Parque, entretanto, ainda não possui estruturas de apoio à visitação, tais como Centro de Visitantes e sinalização de trilhas, que constarão do Programa de Uso Público do Plano de Manejo, que está sendo elaborado. A visitação é atualmente realizada em áreas ainda sob domínio particular, sendo restrita aos locais que já recebiam visitantes antes da criação do Parque e sujeita às normas estabelecidas por cada proprietário e pelo ICMBio.

A equipe do Parque está trabalhando na melhoria de trilhas e no ordenamento da visitação de alguns atrativos. Uma das etapas desse processo é o levantamento de informações sobre a quantidade e o perfil dos visitantes, as épocas mais visitadas, etc. Essas informações constituem elemento fundamental para subsidiar o manejo adequado das trilhas e dos locais de visitação, garantindo a conservação e o uso adequado dessas áreas.

Nas cachoeiras da Quintilha e na Cachoeira do Rio das Pombas, o registro dos visitantes já está sendo feito mediante o preenchimento de fichas fornecidas pelo ICMBio e mantidas pelos proprietários das áreas, que fazem o controle de entrada e saída das pessoas. A equipe gestora do Parque recolherá mensalmente estas fichas, para sistematizar e analisar as informações coletadas.

Nos demais atrativos, onde não há controle da visitação por parte dos proprietários, esse levantamento será feito por amostragem, com técnicos do ICMBio e voluntários indo a cada local em dias específicos para fazer o registro dos visitantes. Por isso, é possível que durante sua visita você seja convidado a responder algumas perguntas sobre o local de onde vem, seus interesses e atividades que gostaria de fazer ao visitar o Parque.

Para a trilha que leva à Torre da Prata, a administração do Parque desenvolveu um sistema de agendamento online que possibilitará aos visitantes obter informações sobre o uso da trilha e do acampamento e planejar melhor sua atividade. O objetivo é proporcionar uma boa experiência ao visitante, gerar informações sobre o número de pessoas que utilizam a trilha e manter uma agenda de utilização da área de acampamento no cume. Como o espaço de acampamento é limitado, o agendamento prévio evitará que um grupo realize a subida com carga elevada e não encontre espaço para pernoite porque já há outro grupo ocupando o local. Este sistema está em fase de testes e será aprimorado conforme sua utilização. Solicitamos o preenchimento do formulário eletrônico cujas informações e link encontram-se na página específica da trilha. Para grupos de visitantes, apenas um formulário deve ser utilizado, e uma pessoa deve se responsabilizar pelo grupo e pelo preenchimento do cadastro. Em caso de desistência ou mudança de planos, informe o quanto antes a equipe do Parque, por e-mail ou telefone, para que a agenda possa ser atualizada. Após sua visita, não se esqueça de preencher o formulário “Registro de saída da trilha da Torre da Prata”, também disponível na página específica da trilha,  que permite aos visitantes inserir informações sobre eventuais acontecimentos observados ao longo da trilha, além de fazer sugestões para a melhoria do manejo da área.

Você pode também enviar comentários e sugestões à equipe do Parque pelo endereço eletrônico parnashl.pr@icmbio.gov.br. Sua participação é importante e, desde já, agradecemos sua colaboração.