ICMBio inicia inventário de fauna no PNSHL

Equipe inicia as coletas de anfíbios no PNSHL

Na segunda quinzena de novembro, uma equipe do ICMBio esteve em campo no Parque Nacional de Saint-Hilaire/Lange (PNSHL) para iniciar o levantamento das espécies de anuros (sapos, rãs e pererecas) que ocorrem na Unidade de Conservação.  O trabalho, que se estende até 2012, foi aprovado pela Diretoria de Biodiversidade do ICMBio e está sendo financiado com recursos orçamentários do próprio Instituto. Este é o primeiro inventário de anfíbios realizado do Parque e as informações serão utilizadas para elaboração do Plano de Manejo, havendo possibilidade de serem encontradas espécies endêmicas (que só ocorrem nesta região) ou indicadoras de qualidade ambiental. O levantamento está sendo realizado em cinco regiões, envolvendo diferentes ambientes, em áreas de visitação e outras que não estão abertas ao turismo, nas porções leste e sudoeste do Parque, com altitude máxima de 120 metros sobre o nível do mar.

Rã martelo – Hypsiboas faber

Na primeira etapa de campo, realizada entre 23 de novembro e 03 de dezembro,  foram identificadas, aproximadamente, trinta espécies. Os animais estão sendo fotografados e, durante as buscas noturnas, as vocalizações (cantos) são gravadas. Estes registros serão utilizados ao final do trabalho para produção de um guia de identificação das espécies encontradas no Parque.

A equipe de pesquisa é composta, basicamente, por analistas ambientais do ICMBio sob coordenação do biólogo Leoncio Lima, chefe do Refúgio de Vida Silvestre dos Campos de Palmas (Palmas, PR). Integram o grupo os analistas ambientais do PNSHL, Beatriz Gomes e Rodrigo Torres;  Márcia Strapazzon, analista ambiental da Estação Ecológica da Mata Preta (Abelardo Luz, SC) e Marili Miretzki, estagiária do PNSHL. Durante alguns dias do trabalho de campo e no laboratório, a equipe contou com o apoio de alunos da UFPR- Litoral ligados ao Labmóvel, Thays Paz, Camile Cordeiro e Carlos Birckolz e da professora Ana Maria Franco, do curso de Ciências também da UFPR-Litoral.

Ameaças aos anfíbios

O Brasil apresenta a maior riqueza e a segunda maior diversidade ecológica de espécies de anfíbios do mundo (Mittermeier et al. 1997), com 775 espécies conhecidas, sendo 747 pertencentes à Ordem Anura (SBH 2005); e ainda muito para ser estudado(1). Grande parte desta biodiversidade está ameaçada por diversos fatores, colocando os anfíbios como os vertebrados mais ameaçados do planeta, com mais de 100 espécies já desapareceram nos últimos séculos – de forma mais acentuada nos últimos 30 a 40 anos (2).

Grande parte desta biodiversidade está ameaçada por diversos fatores, em especial pela perda e fragmentação dos ambientes em que vivem. Estudos recentes realizados no Estado de São Paulo identificaram outra grande ameaça relacionada com a redução de habitats: a desconexão entre o ambiente dos girinos e o ambiente dos adultos. Os pesquisadores visitaram mais de sessenta fragmentos de Mata Atlântica e observaram que somente três das áreas eram cortadas por riachos. Esta situação resulta em um grave problema para as espécies de anfíbios que, para completarem seu ciclo de vida (do ovo ao adulto), necessitam tanto dos ambientes aquáticos como dos terrestres. A poluição por fertilizantes e pesticidas e a ocorrência de doenças que causam alta mortalidade são outras ameaças que atingem os anfíbios (2).

O inventário das espécies de anuros que ocorrem no Parque Nacional de Saint-Hilaire/Lange e em seu entorno contribuem tanto para o conhecimento da biodiversidade como para a avaliação da saúde ambiental da região como um todo, importante para a qualidade de vida também das populações humanas.

Referências:

(1) Ribeiro, R.S. et al. Chave de identificação: anfíbios anuros da vertente de Jundiaí da Serra do Japi, Estado de São Paulo. Revista Biota Neotropica vol. 5 nº2. Campinas 2005.

(2) Fonseca, C.R. et al.  Metamorfose. O declínio mundial dos anfíbios é agravado pela desconexão entre o hábitat aquático dos girinos e o hábitat terrestre dos adultos, induzida pelas atividades humanas. Revista Scientific American Brasil. Nº 72 – Maio 2008.

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