Filhote de lontra é entregue à equipe do PNSHL

A equipe do Parque Nacional de Saint-Hilaire/Lange recebeu na segunda feira, dia 20, um filhote de lontra encontrado na noite de domingo no bairro Tabuleiro, zona urbana de Matinhos. A região é vizinha ao Parque e, segundo os moradores, o pequeno animal estava sozinho e chorando muito, na beira de um pequeno córrego que passa próximo às casas. Os moradores decidiram deixá-lo no mesmo local, na esperança de que a mãe voltasse para buscá-lo, mas isso não aconteceu. No dia seguinte, o animal foi recolhido, alimentado e alguns vizinhos procuraram uma instituição que pudesse dar o tratamento adequado ao animal. Quando foi chamada, já no final da tarde, a equipe do ICMBio foi até o Tabuleiro para recolher o filhote e avaliar as possibilidades de devolvê-lo ao seu ambiente.

Para ajudar a encontrar a melhor solução para a situação, Rodrigo Filipak, da equipe do Parque, entrou em contato com a professora da UFPR-Litoral,  Juliana Quadros, e suas alunas Fabiele Freitas e Jussara Costa, que desenvolvem um trabalho sobre lontras em Matinhos. No início da noite, o grupo fez uma nova tentativa de devolver o filhote à mãe, colocando-o no local onde foi encontrado. Também tentou-se atrair a fêmea por meio da reprodução do som do filhote, gravado momentos antes, mas nenhuma das estratégias teve sucesso. A hipótese mais provável para o abandono do filhote é que a fêmea tenha sido afugentada por cães que circulam na região e não teve como carregar o filhote. As lontras são animais muito ariscos e, dificilmente, a fêmea voltaria ao local, explicou a professora Juliana.

Sendo ainda muito novo para sobreviver sozinho, o filhote (uma fêmea) foi levado à Superintendência do Ibama em Curitiba, órgão responsável pela destinação da fauna silvestre. Segundo o Núcleo de Fauna, o animal será encaminhado para uma instituição devidamente registrada no Ibama, como um zoológico, por exemplo.

As alunas do curso de Gestão Ambiental gostaram de participar da atividade noturna, por ser uma rara oportunidade de terem um contato próximo com o animal que estudam. Conforme explica Fabiele, “O Setor Litoral da Universidade Federal do Paraná possui um sistema de ensino diferenciado, denominado Ensino por Projetos de Aprendizagem, onde realizo juntamente com Jussara Cristiane Costa, e sob a orientação da Profª Drª do Setor, Juliana Quadros, o projeto intitulado Avaliação da Ocorrência de Lontra longicaudis nos canais urbanos de Matinhos, trabalho este que está em sua fase inicial de entrevistas com os moradores para avaliar a ocorrência da espécie em canais poluídos. Através da ferramenta de Georreferenciamento iremos mapear as áreas de esgotos e ocupações irregulares e fazer um panorama da relação homem-natureza. O trabalho será concluído ao término da graduação em 2012.”

Beatriz Gomes, analista ambiental do PNSHL, salienta que os moradores tiveram atitudes corretas com relação ao animal: primeiro deixando-o na margem do rio, para que a mãe pudesse encontrá-lo caso voltasse, e depois procurando um órgão governamental que pudesse se responsabilizar por dar o destino legalmente adequado ao filhote.  A legislação brasileira proíbe a retirada de animais silvestres diretamente da natureza para criação em cativeiro. Esta medida serve tanto para a proteção dos animais, que podem permanecer em seu ambiente e se reproduzir, garantindo a sobrevivência da espécie; quanto das pessoas, pois a fauna silvestre dificilmente é domesticada, podendo apresentar comportamento agressivo e transmitir doenças.

A lontra

A lontra (Lontra longicaudis) é um mamífero de tamanho médio e hábitos semiaquáticos, ou seja, está sempre na água ou próximo dela. Vive em tocas nas margens dos rios e é excelente nadadora. É uma espécie considerada em extinção no Estado do Paraná e as principais ameaças são a caça e a destruição de seu habitat pela poluição dos rios, extração de areia, construção de barragens, entre outros fatores.

Para saber mais sobre as lontras, clique aqui e acesse o texto preparado pela Professora Dra. Juliana Quadros sobre a espécie. Juliana desenvolve trabalhos em ecologia de lontras e participou da elaboração do Plano de Ação para a Conservação da Lontra Neotropical, documento que integra a Política Estadual de Proteção à Fauna Nativa do Paraná.

Uma resposta

  1. Que bicho mais lindo!

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