Lontra encontrada em Matinhos foi encaminhada ao Zoológico Municipal de Curitiba

Passa bem o filhote de lontra recebido pela equipe do Parque Nacional de Saint-Hilaire/Lange há cerca de dez dias (ver postagem anterior).  A pequena fêmea, encontrada por moradores do bairro Tabuleiro, em Matinhos, foi entregue ao Núcleo de Fauna do IBAMA, que a destinou ao Zoológico Municipal de Curitiba. Atualmente, a lontrinha se encontra no setor de quarentena do Passeio Público, recebendo alimentação e cuidados especiais.

Segundo a bióloga Nanci Banevicius, funcionária do Zoo, o filhote aparenta ter cerca de um mês e meio e pesava 935 gramas quando chegou. Adaptou-se bem à nova alimentação, composta por leite próprio para gatos, e já ganhou peso – conforme mostrou a pesagem realizada ontem, dia 29, quando foram registradas 1255 gramas. Por se tratar de um animal que veio do ambiente natural, permanecerá em isolamento por mais algum tempo e, posteriormente, a equipe do Zoo tentará adaptá-la à conviência de outro filhote, também fêmea, porém nascida em cativeiro.

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Sapinhos da montanha são assunto na Gazeta do Povo

O blog “Giro Sustentável”, do Jornal Gazeta do Povo, publicou no dia 22 de junho um texto do biólogo e pesquisador Luiz Fernando Ribeiro sobre os “sapinhos da montanha”, que reproduzimos abaixo. Chamamos atenção para o fato de que uma das novas espécies descritas em 2005, foi encontrada na Serra da Prata, interior do Parque Nacional de Saint-Hilaire/Lange, e recebeu o nome de Brachycephalus izecksohni. A descoberta foi feita durante a coleta de dados para elaboração da tese de doutorado de Luiz Fernando, intitulada “Variação cromática, morfológica e molecular em Brachycephalus da Serra do Mar no Estado do Paraná (Anphibia: Brachycephalidae),  defendida na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) em 2005.

A espécie figura na Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas, organizada pela IUCN (União Internacional para Conservação da Natureza), estando classificada na categoria “deficiência de dados” por se tratar de uma espécie descrita recentemente e sem informações sobre a extensão da área de ocorrência, situação de conservação e necessidades ambientais para a sobrevivência da espécie.

Conheça o texto publicado na página da Gazeta do Povo:

22/06/2011

O Brachycephalus, coletado em Morretes, no litoral paranaense: biodiversidade endêmica corre risco de extinção.

Anuros são anfíbios conhecidos como sapos, rãs e pererecas. Os chamados “sapinhos da montanha” são pequenos anuros de um grupo de 16 espécies endêmicas (exclusivas) da Floresta Atlântica. Os sapinhos habitam exclusivamente as serras da Mantiqueira e do Mar; por isso são endêmicas desse bioma. As diferentes espécies desse gênero – cujo nome científico é Brachycephalus – vivem apenas no alto das montanhas e são andarilhas, utilizando o salto apenas como último recurso de fuga. Constituem, ainda, um dos menores grupos de vertebrados terrestres do planeta, medindo em média 12 mm de comprimento e apresentam em geral cores vivas – como amarelo, laranja e vermelho – e apenas três dedos nas mãos e nos pés. Outra peculiaridade, incomum aos demais anfíbios, é o desenvolvimento direto, ou seja, não há a fase de girino. Os jovens já eclodem do ovo completamente formados, e essa característica permite a reprodução fora do meio aquático.

Biodiversidade: patrimônio brasileiro que precisa ser preservado!

Das 16 espécies de sapinhos da montanha reconhecidas até agora, cinco ocorrem exclusivamente no Paraná. Até 2005, quatro delas eram totalmente desconhecidas pela ciência. Em um ambiente tão ameaçado e reduzido como a Floresta Atlântica, a descoberta de novas espécies só vem ressaltar a importância de se conhecer a biodiversidade a fim de traçar estratégias de conservação.

Hoje em dia, todas as propriedades têm o dever de manter sua reserva legal ou recuperá-la caso tenha sido desmatada. Pela proposta de alteração do código florestal, em debate no Congresso Nacional, as pequenas propriedades não precisariam mantê-la, abrindo um precedente para que grandes áreas sejam divididas e eximidas de possuir sua área preservada. O código atual também protege zonas vulneráveis, como a beira de rios, encostas e topo de montanhas, conhecidas como áreas de preservação permanentes (APP). Atualmente, estas áreas não podem ser ocupadas; mas com as alterações, seriam ameaçadas a reduções e as ocupações ilegais seriam multiplicadas.

Esta e outras eventuais alterações no código florestal brasileiro voltam a abrir um novo caminho de destruição dos ambientes naturais. A perda da biodiversidade – e de espécies como os sapinhos da montanha – é uma consequência imediata; haverá redução da água potável e diminuição da fertilidade do solo. Além disso, aumentariam as ocupações de risco, enchentes e deslizamentos, como as que aconteceram recentemente no Rio de Janeiro e aqui mesmo no Paraná – as áreas que mais sofreram as consequências das chuvas foram as desmatadas e ocupadas irregularmente.

Pelos sapinhos da montanha – e por todos nós também – é tempo de nos conscientizarmos definitivamente.

*Artigo escrito por Luiz Fernando Ribeiro, Professor de Genética e Evolução na Universidade Tuiuti do Paraná, instituição parceira do Instituto GRPCOM no projeto Ler e Pensar.

**Quer saber mais sobre cidadania, responsabilidade social, sustentabilidade e terceiro setor? Acesse nosso site! Siga o Instituto GRPCOM também no twitter: @institutogrpcom.

Filhote de lontra é entregue à equipe do PNSHL

A equipe do Parque Nacional de Saint-Hilaire/Lange recebeu na segunda feira, dia 20, um filhote de lontra encontrado na noite de domingo no bairro Tabuleiro, zona urbana de Matinhos. A região é vizinha ao Parque e, segundo os moradores, o pequeno animal estava sozinho e chorando muito, na beira de um pequeno córrego que passa próximo às casas. Os moradores decidiram deixá-lo no mesmo local, na esperança de que a mãe voltasse para buscá-lo, mas isso não aconteceu. No dia seguinte, o animal foi recolhido, alimentado e alguns vizinhos procuraram uma instituição que pudesse dar o tratamento adequado ao animal. Quando foi chamada, já no final da tarde, a equipe do ICMBio foi até o Tabuleiro para recolher o filhote e avaliar as possibilidades de devolvê-lo ao seu ambiente.

Para ajudar a encontrar a melhor solução para a situação, Rodrigo Filipak, da equipe do Parque, entrou em contato com a professora da UFPR-Litoral,  Juliana Quadros, e suas alunas Fabiele Freitas e Jussara Costa, que desenvolvem um trabalho sobre lontras em Matinhos. No início da noite, o grupo fez uma nova tentativa de devolver o filhote à mãe, colocando-o no local onde foi encontrado. Também tentou-se atrair a fêmea por meio da reprodução do som do filhote, gravado momentos antes, mas nenhuma das estratégias teve sucesso. A hipótese mais provável para o abandono do filhote é que a fêmea tenha sido afugentada por cães que circulam na região e não teve como carregar o filhote. As lontras são animais muito ariscos e, dificilmente, a fêmea voltaria ao local, explicou a professora Juliana.

Sendo ainda muito novo para sobreviver sozinho, o filhote (uma fêmea) foi levado à Superintendência do Ibama em Curitiba, órgão responsável pela destinação da fauna silvestre. Segundo o Núcleo de Fauna, o animal será encaminhado para uma instituição devidamente registrada no Ibama, como um zoológico, por exemplo.

As alunas do curso de Gestão Ambiental gostaram de participar da atividade noturna, por ser uma rara oportunidade de terem um contato próximo com o animal que estudam. Conforme explica Fabiele, “O Setor Litoral da Universidade Federal do Paraná possui um sistema de ensino diferenciado, denominado Ensino por Projetos de Aprendizagem, onde realizo juntamente com Jussara Cristiane Costa, e sob a orientação da Profª Drª do Setor, Juliana Quadros, o projeto intitulado Avaliação da Ocorrência de Lontra longicaudis nos canais urbanos de Matinhos, trabalho este que está em sua fase inicial de entrevistas com os moradores para avaliar a ocorrência da espécie em canais poluídos. Através da ferramenta de Georreferenciamento iremos mapear as áreas de esgotos e ocupações irregulares e fazer um panorama da relação homem-natureza. O trabalho será concluído ao término da graduação em 2012.”

Beatriz Gomes, analista ambiental do PNSHL, salienta que os moradores tiveram atitudes corretas com relação ao animal: primeiro deixando-o na margem do rio, para que a mãe pudesse encontrá-lo caso voltasse, e depois procurando um órgão governamental que pudesse se responsabilizar por dar o destino legalmente adequado ao filhote.  A legislação brasileira proíbe a retirada de animais silvestres diretamente da natureza para criação em cativeiro. Esta medida serve tanto para a proteção dos animais, que podem permanecer em seu ambiente e se reproduzir, garantindo a sobrevivência da espécie; quanto das pessoas, pois a fauna silvestre dificilmente é domesticada, podendo apresentar comportamento agressivo e transmitir doenças.

A lontra

A lontra (Lontra longicaudis) é um mamífero de tamanho médio e hábitos semiaquáticos, ou seja, está sempre na água ou próximo dela. Vive em tocas nas margens dos rios e é excelente nadadora. É uma espécie considerada em extinção no Estado do Paraná e as principais ameaças são a caça e a destruição de seu habitat pela poluição dos rios, extração de areia, construção de barragens, entre outros fatores.

Para saber mais sobre as lontras, clique aqui e acesse o texto preparado pela Professora Dra. Juliana Quadros sobre a espécie. Juliana desenvolve trabalhos em ecologia de lontras e participou da elaboração do Plano de Ação para a Conservação da Lontra Neotropical, documento que integra a Política Estadual de Proteção à Fauna Nativa do Paraná.

Lontra Neotropical

LONTRA NEOTROPICAL (Lontra longicaudis)

Profa. Dra. Juliana Quadros

A lontra (Lontra longicaudis) é um mamífero de tamanho médio, considerando o comprimento do corpo e da cauda mede cerca de 80 a 130 cm e pode pesar de 4 a 6 kg. Os machos são maiores do que as fêmeas. Tem pelagem curta e densa, marrom-escuro nas partes superiores, e mais clara no ventre, no colo e embaixo do queixo. A cabeça é pequena e achatada com olhos pequenos, orelhas curtas e arredondadas. A cauda é longa, as pernas são curtas e robustas e os pés são espalmados com dedos unidos por membranas interdigitais.

São semiaquáticas, ou seja, estão sempre na água ou próximo dela. São nadadoras ágeis e excelentes mergulhadoras. No ambiente natural são discretas e é raro observá-las. Como local de descanso, refúgio e reprodução utilizam tocas nas margens dos rios por entre raízes de árvores e cavidades naturais em rochas, ou ainda, utilizam estruturas construídas pelo homem, como pontes e manilhas de drenagem. A defesa do território é feita através de arranhados, e deposição de fezes que deixam marcas odoríferas em locais bem evidentes do ambiente como rochas e troncos caídos, também no entorno de tocas e na foz de afluentes de um rio principal.

O horário em que saem de suas tocas para se alimentar parece variar de acordo com características ambientais do local podendo ser à noite, no início e fim do dia ou mesmo durante o dia. Os itens alimentares mais comuns são peixes, caranguejos e camarões, mas também podem comer insetos, caramujos, sapos, cobras, pequenos mamíferos e aves, e, mais raramente, frutos.

Ao longo do ano vivem sozinhas ou formam o casal para a procriação. Após a reprodução o grupo social é formado pela fêmea adulta com seus filhotes. O período de gestação é de aproximadamente dois meses, nascendo de um a cinco filhotes (geralmente dois ou três) que pesam130 gramas ao nascer. Abrem os olhos com cerca de 44 dias. Iniciam a vida na toca em terra firme e começam a nadar com a mãe aos 52 dias. Mamam de três a quatro meses, com um ano de idade separam-se da mãe e atingem a maturidade sexual aos dois ou três anos de vida.

A distribuição geográfica original da lontra vai desde o norte do México até o Uruguai. Originalmente ocorria em todo o Brasil e também em todo o Estado do Paraná, tendo sido registrada em todos os biomas. Frequentam vários tipos de ambientes aquáticos, tanto de água doce (rios, lagos, pequenos cursos d’água) como de água salgada (baías, lagunas e enseadas), geralmente entre 300 e1.500 mde altitude.

Entretanto, sua sobrevivência no ambiente natural tem sido ameaçada por diversas atividades humanas e conflitos socioambientais. Segundo o decreto 7264/2010 a lontra é considerada uma espécie “quase ameaçada” (NT) no Estado do Paraná. As lontras são alvo de caça por causarem prejuízos financeiros ao consumir peixes em tanques de criação e danificar redes de pesca. Além disso, a pesca predatória, a introdução de espécies de peixes exóticos e invasores, a extração de areia e seixos e o barramento dos rios para a criação de reservatórios de usinas hidrelétricas contribuem para a redução do estoque de presas naturais das lontras e para a fragmentação do ambiente aquático. O desmatamento das áreas de preservação permanente (encostas, nascentes, margens dos rios, mangues e restingas) causa erosão do solo, assoreamento dos rios e perda da qualidade da água, tanto para as lontras quanto para consumo humano. A presença humana muito próxima do ambiente natural das lontras também as coloca em contato com animais domésticos, especialmente cães e gatos, que são potenciais transmissores de doenças. Adicionalmente, as lontras têm sido vítimas de atropelamentos nas estradas, cada vez mais numerosas e mais velozes, construídas para atender às necessidades econômicas de escoamento da produção do Estado. O bioacúmulo de agrotóxicos e metais pesados presentes na água ao longo da teia alimentar tem consequências lentas e silenciosas para a saúde e reprodução das lontras e do ser humano. Outros tipos de poluição que afetam as lontras e as pessoas, especialmente em áreas urbanas e industrializadas, são a contaminação dos rios com esgoto e outros dejetos urbanos e o derramamento de óleo e outros produtos químicos.

Para garantir a sobrevivência das lontras no estado do Paraná é necessário garantir um estoque populacional de presas (alimento) abundante e livre de substâncias tóxicas, além de corpos d’água e suas margens com qualidade e espaço suficiente para assegurar abrigo e reprodução. Ou seja, o ambiente aquático e ribeirinho necessário para a conservação das lontras também é o ambiente que garante às populações humanas a qualidade de água e outros recursos naturais relacionados necessários à sua sobrevivência com qualidade de vida.

Profª Drª Juliana Quadros possui mestrado e doutorado em Zoologia, ambos pela UFPR. Atualmente é professora no Curso de Bacharelado em Gestão Ambiental, Setor Litoral, Universidade Federal do Paraná (UFPR Litoral).

Email: juliana.quadros@ufpr.br

Para saber mais:

Quadros, J. Plano de Ação para a Conservação da Lontra Neotropical, Lontra longicaudis. In: II Workshop para validação dos Planos de Ação para a Política Estadual de Proteção à Fauna Nativa – SISFAUNA – PR, Curitiba, 2008.


UCs brasileiras podem gerar R$ 5 bilhões por ano

As unidades de conservação (UCs) brasileiras, se exploradas adequadamente, têm potencial para gerar receita de, no mínimo, de R$ 5 a 10 bilhões por ano.  A conclusão é do estudo promovido pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) em parceria com o Centro para Monitoramento da Conservação Mundial do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP-WCMC, na sigla em inglês), cujo relatório final foi lançado no dia 7 de junho. O trabalho teve a coordenação técnica de pesquisadores da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com o apoio do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) , da Agência de Cooperação da República Federal da Alemanha (GIZ) e do Ministério do Meio Ambiente, Alimentação e Assuntos Rurais do Governo do Reino Unido.

A publicação apresenta o potencial econômico de alguns bens e serviços fornecidos pelas unidades de conservação: produtos florestais, uso público, estoque de carbono, produção de água e repartição de receitas tributárias (ICMS Ecológico). Os resultados da análise mostram que as áreas protegidas não constituem espaços isolados e dissociados das atividades humanas, mas fornecem, de forma direta ou indireta, diversos bens e serviços que satisfazem várias necessidades da sociedade brasileira, inclusive produtivas. No entanto, por se tratar de produtos e serviços prestados de forma difusa, seu valor não é percebido pelos usuários, que na maior parte dos casos não pagam diretamente pelo seu consumo ou uso. Ficaram de fora da análise outros importantes serviços ambientais como a contenção de encostas, a conservação de recursos pesqueiros e a própria conservação da biodiversidade, para os quais faltam informações ou metodologias adequadas de valoração.

Para fazer o download deste relatório e de outras publicações do Ministério do Meio Ambiente, clique aqui.

Dia Mundial do Meio Ambiente – Evento na UFPR Litoral reuniu comunidades atingidas pelas enchentes

Moradores de Morretes, Paranaguá, Guaratuba e Antonina participaram de evento no Dia Mundial do Meio Ambiente

No último domingo, 05 de junho, cerca de 290 moradores de comunidades atingidas pelas enchentes e deslizamentos ocorridos no mês de março, participaram do I Foco – Fórum das Comunidades do Litoral do Paraná. O evento foi organizado pelo Setor Litoral da Universidade Federal do Paraná com o objetivo de fortalecer a articulação entre as comunidades atingidas e promover o diálogo direto com as instâncias públicas responsáveis pelo acesso aos direitos básicos dos cidadãos.

No período da manhã, os participantes de cada um dos municípios atingidos se reuniram em grupos para pontuar suas necessidades e reivindicações. Muitas das questões levantadas foram problemas que estavam presentes antes mesmo das enchentes e deslizamentos. Todos apontam problemas relacionados aos serviços públicos, como a dificuldade de acesso, de transporte coletivo e a precariedade dos serviços de saúde. Segundo o diretor da UFPR Litoral, Valdo Cavallet, o evento proporcionou uma maior interação entre as famílias e comunidades, visando melhorar as condições de vida no litoral do Paraná. “Este momento proporciona um conhecer mútuo, as comunidades estão pensando em ações conjuntas umas com as outras, com a universidade e com os órgãos públicos”, explicou Cavallet. Para ele, a população que vive no litoral deve ser reconhecida pela sua resistência, afinal a região é historicamente negligenciada.

Juçara Scomasson, que vive em Morretes, enfatizou que há dificuldade de comunicação e desencontro de informações entre as famílias e os representantes do poder público. Antônio Gomes, também de Morretes, afirma que os moradores precisam ter acesso e compreender os estudos geológicos feitos na região, manifestando sua preocupação com a recente recomendação do Ministério Público Estadual, que estabeleceu umprazo para remoção das famílias da comunidade Floresta. “A maior urgência é melhorar a gestão de todo esse processo, como serão estes próximos cinco meses na região de Floresta, já que o Ministério Público deu esse prazo para a desocupação?”, questionou Gomes.

Para o Capitão Fabrício Frazatto dos Santos, comandante da Defesa Civil do Litoral Paranaense, é necessário embasar as decisões em laudos técnicos e não em suposições. “Normalmente os processos de realocação de pessoas leva em média um ano. Mas no caso de Floresta não há como esperar esse tempo. Por isso, o Ministério Público está cobrando das autoridades que o processo aconteça em cinco meses”, explicou Capitão Frazatto.

A equipe do Parque Nacional de Saint-Hilaire/Lange participou das discussões pois, embora não atue diretamente no fornecimento dos serviços básicos à população, a Unidade de Conservação foi afetada pelas chuvas e sua administração tem sido continuamente solicitada se manifestar em questões que envolvem a UC e seu entorno imediato. Na opinião de Rodrigo Filipak, analista ambiental do Parque, “a participação no evento, em especial nos grupos de discussão dos municípios, foi muito importante para promover a aproximação entre a equipe da UC e os moradores e conhecer detalhes que auxiliarão a administração do Parque na tomada de decisões referentes às demandas das comunidades”.

Ao final do evento, foi lida uma carta de reivindicações e intenções que será encaminhada aos órgãos competentes. A carta será disponibilizada em breve.

Fonte: UFPR-Litoral